quinta-feira, 21 de abril de 2011

A dúvida e a dor

Hoje é feriado e eu deveria estar focada no trabalho de conclusão da graduação, como me propus nos dias que se passaram. Porém não consigo me sentir livre para fazê-lo; tenho um bloqueio mental que me impede de raciocinar logicamente, me paraliza o ânimo e poda qualquer broto de motivação que tenta surgir. E o que mais preocupa é que me conheço o suficiente para saber a causa desse mau momento e não há nada que eu possa fazer para combatê-la. Quer dizer, teoricamente eu poderia desviar o pensamento e utilizar a técnica de combate aos esquemas mentais disfuncionais ensinada pelo meu terapeuta, só que não será suficiente, pois me sinto de mãos atadas por outrem. E é muito difícil conviver com uma dúvida. Pior ainda é não poder dividí-la com ninguém.

Repetidamente vinha enfrentando histórias com um ponto em comum: falta de transparência. Houve uma delas que demorou cerca de 2 anos para ser resolvida, entre idas e vindas que aceitei por sempre acreditar mais uma vez na mudança de caráter do indivíduo. Dois anos para ter uma conversa franca. Pelo menos ambos finalmente nos libertamos e pudemos seguir por caminhos distintos.

E houve histórias que nunca se resolveram; caíram no esquecimento. Entretanto acredito firmemente que relações de verdadeiro afeto não se desfazem como serração em dias ensolarados de inverno. Podem estremecer por conta de alguma falta de cuidado, pelos erros que cometemos, por uma agenda lotada ou problemas que requeiram nossa total atenção por um tempo, mas duas pessoas que se gostam de verdade se procurarão novamente, passe o tempo que passar. Tenho amigos que felizmente me provaram isto nos últimos dias através da reaproximação (e eu fiquei muito feliz, mesmo!). Tenho também uma amiga há cerca de 20 anos com quem tive muitas brigas por motivos dos mais diversos, mas, como pôde ser observado no início dessa frase, o verbo está no presente. Crescemos juntas e aprendemos a conviver com as nossas diferenças. Ela é seguramente uma das pessoas a quem eu amo nessa vida severina.

Aliás, há 3 tipos de pessoas na minha vida: as com quem simpatizo, as de quem eu gosto pra valer e as que eu amo. Não é difícil "classificar" cada pessoa que entra no meu caminho, mas dificilmente alguém desce uma classificação. Também não sei se isso é um defeito desta que vos escreve, no entanto mesmo que alguém me magoe profundamente, eu não deixo de amá-la. Passo a guardar um amor dolorido - que pode sarar ou não -, mas ainda assim amor. Talvez este(a) sujeito(a) vá para o sótão do meu coração para sempre; talvez voltemos às boas um dia; mas será sempre amor mesmo que mude.

Só que ando com uma dúvida pairando sobre minha cabeça, e ela me impede de desenvolver um raciocínio concentrado de longa duração. Loucura, né? Gostaria muitíssimo de entender como funciona nossa mente nesses casos, porque deveria ser o contrário - mergulhar em uma atividade intelectual para distrair o coração. Lembro de ter sugerido justamente isto a uma amiga há pouquíssimo tempo, inclusive. Por que sabemos o que deve ser feito mas não conseguimos nós mesmos fazê-lo? E por que é tão difícil dissuadir a si mesmo? E ainda, por que é impossível relevar quando um sentimento que outrora fazia bem hoje machuca? Respondo: porque trata-se de uma pessoa que está guardada na gaveta dos amores. Logo, ter com ela uma questão não resolvida traz desconforto e, por que não, uma dor profunda, a qual é impossível de deixar o tempo apagar. Porque o tempo não apaga esse tipo de perda. E minha maior preocupação é de que eu tenha sido falha até aqui em demonstrar-lhe o que se passa - e que eu tenha posto tudo a perder por, sei lá, autoproteção exagerada.

Como não há mais conclusões possíveis, e como isto não passa de um visceral e desestruturado desabafo, paro por aqui. Continuarei ouvindo Los Hermanos, Sabonetes, Luísa Mandou Um Beijo, Poléxia, Apanhador Só e seus similares que hoje traduzem melhor do que este texto o que passa aqui dentro.

sábado, 16 de abril de 2011

Be social

Uma das minhas fontes de pesquisa atualmente tem sido o Socialnomics de Erik Qualman, que é excelente referência no tema social media. No entanto essa semana fui surpreendida por um post muito mais humano do que a maioria das más notícias que temos acompanhado tanto em veículos tradicionais quanto nas mídias sociais, o qual reproduzo abaixo para agilizar - e para evitar o temível desvio de atenção provocado pelas "n" abas abertas no browser:
Today as I was sipping my morning coffee and perusing the real time status updates of my friends on Facebook and Twitter, one particular post caught my eye. A good friend of mine posted that she had received a nice little surprise this morning at the drive-through Starbucks. Apparently she pulled up to the window and was informed that her drink had been paid for by the woman in the car who had preceded her. The coffee came with a note saying that since this woman had a stranger do the same thing for her last week, she wanted to pay it forward. Nice.
After reading about this exchange, I personally was inspired to do the same thing and look forward to surprising someone on their next coffee trip. And if her one post inspired me, perhaps it inspired others, and consequently a ton of folks are going to be receiving a nice surprise to start their day. While impossible to quantify perhaps, it’s fun to think about the impact that starting your day with an anonymous blessing might have. Imagine starting off each day reading a tweet or post about how someone was blessed unexpectedly. For all the debate about social media, this is a prime example of why it is such an incredible force for change.
Look out whoever follows me through the drive through. Your next espresso is on me.
Post it forward.
Original aqui.

Imediatamente me lembrei de um dos assuntos do almoço de sexta-feira com o pessoal do trabalho, onde discutíamos exatamente a falta de respeito e gentileza que os indivíduos têm tido com as pessoas à sua volta e com a própria cidade onde vivem.

Por exemplo: o trânsito de Porto Alegre é mais difícil que o de São Paulo, acredite se puder. Não exatamente pelo número de veículos nas ruas, embora a relação veículos/habitante não seja tão distante nas duas capitais - 0,48 na primeira contra 0,57 na segunda1 - mas porque o motorista gaúcho é muito, muito mal educado. Some-se a isto o fato de que a maioria das ruas é relativamente estreita e não comporta o fluxo de veículos da hora do rush e temos o clássico problema do "é minha vez e dane-se você", que foi dignamente ilustrado por uma pane nas sinaleiras em uma tarde chuvosa do último verão:

Cruzamento das avenidas Plínio B. Milano e Carlos Gomes2
E pensar que há cidades americanas onde nem há sinaleiras, uma vez que os motoristas entendem e respeitam a vez do próximo. Ou seja, são civilizados.

Indivíduos a pé não ficam atrás na falta de consideração, é claro. Se puderem cortar a sua frente caminhando pela rua, o farão. Se tiverem a chance de furar uma fila, não pensarão duas vezes. Caso obtenham um mínimo de vantagem sobre o próximo, ignorarão as regras (implícitas ou normativas) e agirão com a mais natural face de madeira que dispuserem. E o que mais me entristece é ver que tal comportamento é tido mais como default do que como desvio de caráter, e nós, criaturas educadas que ainda acreditamos na bondade humana, somos ignorados. Quando não ridicularizados. Onde foi parar a capacidade de oferecer um café ao estranho que vem atrás de você?

Eu poderia militar para que todos exercitemos a virtude de fazer gentilezas sem payback. Mas do jeito que a sociedade vem caminhando, creio que seja necessário trabalhar um pouco mais atrás: lembrar que não se é autosuficiente em nenhum aspecto da vida e que a sua prioridade só é prioritária para você mesmo. Que a cidade onde você vive é uma extensão da sua casa (veja só, sua casa está sobre o solo dessa mesma cidade!) e que viver em comunidade não é apenas para aqueles que voluntariamente se associam a um clube, frequentam a igreja do bairro ou têm um ótimo círculo de amigos. É para todos que decidiram não morar em uma ilha deserta e viver unicamente da auto-produção. Isto é, suas comunidades estão nos locais que você frequenta, mesmo que não haja interação direta, e nada impede que você torne o dia de alguém mais especial apenas porque esse alguém não é um ente querido seu.
Pense nisso. Não pense apenas em si mesmo.

Aliás... para quem você deixará um café amanhã?
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quinta-feira, 14 de abril de 2011

Justificativas?

É muito demodé publicar um texto de inauguração de um blog em 2011; porém também é hipster demais não introduzir aos possíveis leitores a motivação para eu ter criado este espaço. Portanto, melhor fazê-lo.

Por que criar outro blog, se o As Viajadas já serve como uma miscelânea de ideias? Bem, porque as pessoas mudam, eu mudei, e sinto necessidade de organizar o pensamento em pratos limpos. Sabe quando você comprava um novo caderno a cada novo semestre na faculdade? Não era extremamente motivador abrí-lo, vazio, a fim de preenchê-lo com novas experiências apreendidas? É a mesma coisa. Você precisa virar páginas algumas vezes em sua vida, pois a ruptura provocada no tempo certo é um grande benefício para o crescimento pessoal.

Adicionalmente, a proposta deste blog é expor a opinião pessoal da autora acerca de diversos temas de acordo com o cotidiano e, também, com as situações inesperadas ou inexplicáveis que se enfrenta hoje em dia. Ou seja, embora eu possa abordar os assuntos mais distintos, pretendo ser coerente na linha de pensamento - o que deverá permitir ao leitor conhecer um pouco melhor quem se protege atrás dos famosos óculos vermelhos. Porque eu mesma estou em um período de reconhecimento, o que provavelmente será muito mencionado por aqui.

Não sei se o outro blog continuará sendo atualizado. Definições não são o meu forte. Definições limitam demais as possibilidades e engessam os indivíduos. #pensenisso